Baú de Traços & Troços
Nascer,morrer, renascer ainda, tal é a lei (Kardec)
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CACHOEIRO, Cachoeiro de Itapemirim...


Pois é gente. Mês passado estive em Cachoeiro. Passei despercebido pela cidade como "soy" deveria acontecer. A cidade não me conhece mais, óbvio. Afinal são 48 anos de presença-ausente. Visito-a todo ano, é verdade, mas não a frequento. Não dou o ar da graça. Escondo-me em suas entreparedes para apreciá-la, como um “voyeur” submisso ao seu vício. Mas, dessa vez foi diferente. Saí a caminhar pelas suas ruas. No máximo até as 18:00h. Recomendação dos parentes contra a violência. Mas, deixemos de lado a modernidade. Voltemos no tempo pois é mais saudável. Como ia dizendo, sai para andar. Adentrei a praça Jerônimo Monteiro e fui ao BB. Surpresa! um conterrâneo, cliente da Banco, veio me cumprimentar efusivamente vendo-me no saguão. Sabia meu nome e foi logo adentrando em assuntos que me eram familiares. Coisa desagradável, não lhe sabia o nome. Por "Tutatis", exclamei em silêncio, merda de cabeça. Pena, mas o "papo" valeu por toda a minha solitária andança. Enfim alguém na minha terra sabia quem eu era e de onde eu era. Despedi-me do conterrâneo com um abraço fraterno e tomei o rumo da Ladeira dos Caçadores, cortando caminho para chegar ao Estádio do Sumaré. Em frente ao campo do Estrela do Norte FC uma saudade dorida machucou com vontade o peito. O coração disparou perigosamente. Quantas vezes aquele Estádio tremeu, vibrando por um gol feito por mim. O Estádio estava fechado e os que por ali estavam presentes com certeza eram apenas moradores da região. Perguntei por alguns conhecidos sem resposta positiva.
Continuei meu périplo pelas ruas da cidade. Desci pelo Mercado, atravessei a ponte em direção à minha casa, no Bairro Independência, como se o tempo houvera ali parado. Assustei-me. Perdão, minha casa está vazia, ali somente mora a saudade de meus mortos queridos. Em verdade ia em direção à casa de meu irmão, onde estava hospedado. Antes, porém, após a travessia da ponte tomei a rua à esquerda, sem razão ou porquê. Quedei-me assustado quando me vi indo pela Pinheiro Junior, tão familiar durante a adolescência e juventude. Fiz seu percurso durante alguns anos, entre feliz e alegre, sensações inerentes à alma juvenil. Mas ali também, foi o palco das primeiras ilusões do amor, mortas pela realidade da vida.
Como na vida o acaso não existe e tudo tem sua verdadeira razão de ser e de acontecer, tomei o rumo do Liceu. O velho educandário sempre foi e ainda é o repositório fiel de meus bocados de felicidade e recordações alegres. Afinal é apenas uma linha reta e a distância não é problema. Estou acostumado a caminhadas e pequenas corridas em percurso de até 10km. Moleza. Adentrei pelo pátio do augusto Colégio e parei estático diante de sua porta principal. Aí, moçada, não deu para segurar. Minha cabeça deu um nó de marinheiro e se trancou nos escaninhos do passado, enquanto a saudade se afogava em lágrimas doridas pela passagem do tempo.
A casa de meu irmão fica bem pertinho dali. Dei nas pernas, rapidinho, antes que eu tivesse um "troço" e virasse um destroço.
Quem foi o idiota que disse que saudade não mata? Mesmo assim, mês que vem estou voltando a Cachoeiro.

palhinha

palhinha
Enviado por palhinha em 15/08/2018
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